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Sinopse

A obra poética fundamental de Afonso Lopes Vieira, «Trovador de Portugal».

Leal e insubmisso por carácter (tal qual se revia no Camões que estudou, evocou e editou ao longo dos seus trabalhos e dias), fiel e insurgente por propósito, refontalizador e inovador por projecto, Afonso Lopes Vieira constrói-se como figura artística de um tradicionalismo que pretende evitar o academismo e outras servidões convencionais.
Prospector das formas genuínas de expressão do espírito da Nacionalidade, intérprete dos seus mitos e arquétipos axiais, arauto da ‘alma nacional’ e paladino da portugalidade, manifestou a sua singularidade poética através de fases contrastivas, mas com coerência de fundo e com uma base de permanências na presença artística e cultural – o ‘verbo aristocrático e comum’, o ethos cívico e lusíada, a sensibilidade delicada e viril de Poeta Saudade. Determinado a ‘salvar a sua alma’ em nova Demanda do Graal, militou contra a descaracterização da identidade nacional e em prol da actualização do nosso ‘fundo lírico ancestral’.
Alheio ao movimento modernista de Orpheu, mas não se quedando à margem das dialécticas da Modernidade cultural e estética, o escritor realiza-se em intensa relação com um concerto alargado de artes, várias vezes convocadas a conjugarem-se criativamente (literatura e artes gráficas, pintura e gravura, música e lied, bailado e dramaturgia, fotografia e cinema).
O invulgar grau de consciência artífica do ‘Trovador de Portugal’ assoma no contínuo trabalho de alterar versos e estrofes e no incessante tecer de variações sobre tópicos fulcrais da sua mensagem. Mas manifesta-se também pelos marcos que erige com sucessivas antologias, culminantes na construção macrotextual de Os Versos de Afonso Lopes Vieira (1927), que verá sair ao caminho da sua posteridade nova colectânea original, Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa (1940).

«Arauto e mantenedor do Lirismo Português», segundo Carolina Michaëlis de Vasconcelos, e «preceptor seguro da sensibilidade portuguesa», no dizer de António Sardinha, Afonso Lopes Vieira cumpriu-se de acordo com a sua concepção de Poesia como energia produtiva e formativa (na senda de Ruskin), mas também como revelação de que «o mistério da vida em Arte é o mistério divino.
José Carlos Seabra Pereira 

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Autor(es)

Afonso Lopes-Vieira

Afonso Lopes Vieira (Leiria, 1878 - Lisboa, 1946) estudou Direito na Universidade de Coimbra (1894-1900) e foi redactor na Câmara dos Deputados (até 1916). Ao longo de mais de meio século, consagrou boa parte do seu tempo a uma vasta obra literária (em prosa e em verso) que compôs e deu a conhecer na imprensa periódica e em dezenas de livros e opúsculos. Em prosa escreveu o romance Marques (1903) e numerosas conferências e ensaios que reuniu em livros como A Campanha Vicentina (1914), Em Demanda do Graal (1922) e Nova Demanda do Graal (1942). Dedicou especial atenção aos grandes clássicos portugueses, nomeadamente Gil Vicente e Luís de Camões (que editou, em 1928 e 1932, em colaboração com José Maria Rodrigues), Santo António de Lisboa (Jornada do Centenário, 1932), Cristóvão Falcão, Francisco Rodrigues Lobo (que editou em 1940 e 1945), Almeida Garrett e João de Deus (que editou em 1921 e 1930), bem como a grandes mitos como o de Pedro e Inês (A Paixão de Pedro o Cru, 1940) e as Cartas de Soror Mariana (1941). Recuperou para a Literatura Portuguesa O Romance de Amadis (1922) e a Diana, de Jorge de Montemor (1924). Traduziu as Poesias de Heine (1912) e O Poema do Cid (1927). Para a infância e a juventude, adaptou O Conto do Amadiz de Portugal (1938) e, para teatro de fantoches, o Auto da Barca do Inferno (1913); e publicou em verso Hino a Camões (1911), Animais Nossos Amigos (1911), Canto Infantil (1912) e Bartolomeu Marinheiro (1912). Poeta, sempre poeta, a obra lírica de Afonso Lopes Vieira encontra-se numa vintena de livros e opúsculos: Para Quê? (1897), Náufrago. Versos Lusitanos (1898), Auto da ‘Sebenta’. Farça em verso em um prólogo e dois quadros (1899), Elegia da Cabra (Maio de 1900), O Meu Adeus (1900), O Poeta Saudade (1901), O Encoberto (1905), Conto do Natal (1905), Ar Livre (1906), O Pão e as Rosas (1908), Monólogo do Vaqueiro (1910), Canções do Vento e do Sol (1911), Rosas Bravas (1911), Sobre as ‘Cenas Infantis’ de Schumann (1915), Ilhas de Bruma (1917), Canções de Saudade e Amor. Lieder (1918), Ao Soldado Desconhecido (1921), Pais Lilás, Desterro Azul (1922), Éclogas de Agora (1935) e Onde a Terra se Acaba e o Mar Começa (1940). Em 1904 deu à estampa a sua primeira antologia (Poesias Escolhidas. 1898-1902) e em 1927 organizou e fixou a sua selecção em Os Versos de Afonso Lopes Vieira, com poemas de 1898 a 1924. _________________________

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José Carlos Seabra Pereira

Doutor pelas Universidades de Poitiers e de Coimbra, professor da Faculdade Letras de Coimbra e na Universidade Católica; foi professor convidado no Instituto Politécnico de Macau. Coordenador científico do Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos; diretor da revista Estudos (CADC); diretor do Secretariado Nacional para a Pastoral da Cultura (Portugal); membro do Conselho Executivo da Fundação Inês de Castro e do Conselho de Patronos da Fundação Arpad Szenes — Vieira da Silva. Tem integrado os júris dos principais prémios literários de Portugal e da CPLP, nomeadamente do Prémio Camões, do Grande Prémio Leya e dos Prémios da Associação Portuguesa de Escritores. Figura de referência nos Estudos sobre Camões, Decadentismo, Simbolismo, Neo-Romantismo e Modernismo, é autor de cerca de quinhentas conferências e palestras, de numerosos ensaios e estudos monográficos, de edições críticas ou pracríticas (Obras de Gomes Leal, Raul Brandão, Florbela Espanca, etc.), de centenas de artigos em revistas especializadas e verbetes em enciclopédias, e de uma vintena de livros, com destaque para: Decadentismo e Simbolismo na Poesia Portuguesa (1975); Do Fim-de-Século ao Tempo de Orfeu (1979); Autour de la Themátique Politique et de L'Engagement dans la Litterature Portugaise (1982); L'Action Litteraire et ('Oeuvre Poetique de Joao de Barros) (1983); 0 NeoRomantismo na Poesia Portuguesa (1999), 2 vols.; vol. VII da História Critica da Literatura Portuguesa: Do Fim-De-Século ao Modernismo (1995); Antonio Nobre: Projecto e Destino (2000); 0 Essencial sobre Antonio Nobre (2001); 0 Tempo Republicano da Literatura Portuguesa (2010); Aquilino — a escrita vital (2014), Premio de Ensaio da Associação Portuguesa de Críticos Literários; 0 Delta Literário de Macau (Macau, 2015), Prémio de Ensaio da Associação Portuguesa de Escritores.

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José Manuel Quintas

José Manuel Alves Quintas (Lisboa, 1960) é militar, tenente-coronel da Força Aérea Portuguesa. Licenciado em História e Mestre em História do Século XX (Universidade Nova de Lisboa), é autor de Filhos de Ramires. As origens do Integralismo Lusitano (Lisboa, 2004) e colaborador de dicionários de História e outras obras colectivas com estudos sobre temas de História Política e Militar do Século XX. Foi professor na Academia da Força Aérea (1995-2011). Foi editor do espaço na internet ‘Unica Sempre Avis’ (2000-2012) e do blogue ‘Lusitana antiga liberdade’ (2003-2012). É editor de ‘Estudos Portugueses’ (www.estudosportugueses.com), onde divulga documentação sobre figuras como António Sardinha. Conheceu melhor este Autor por intermédio de um integralista da última geração, Mário Saraiva (1910-1998).

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Manuel Vieira da Cruz

Manuel Marques da Cruz Vieira da Cruz (Praia do Ribatejo, 1967) é editor. Iniciou a sua vida profissional na Verbo (1988), dirigiu a Grifo (1994-2010) e coordenou, entre outros, o projecto ‘Agustina Bessa-Luís / Opera Omnia’ (2008-2012). Em 1988, sendo estudante, organizou na Universidade Católica Portuguesa o ciclo de conferências e a exposição que assinalaram o centenário do nascimento de António Sardinha. Conheceu melhor este Autor por intermédio de um integralista da última geração, Henrique Barrilaro Ruas (1921-2003). 

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