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Diálogo Ciceroniano (Grandes Nomes do Pensamento, #19)

Erasmo de Roterdão

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Sinopse

O holandês Erasmo (1466-1536), espírito independente, liberal e cosmopolita, figura prestigiada junto das autoridades políticas, religiosas e académicas do seu tempo, foi um dos expoentes intelectuais do Renascimento. Deve-se-lhe, entre outras obras, a primeira edição crítica moderna em latim do Novo Testamento, logo retraduzida noutras línguas, e uma famosa sátira filosófica da sua época, o Elogio da loucura (1509). O presente diálogo Ciceronianus (1528), cedo influente nas controvérsias literárias, retóricas e estéticas da Europa do séc. XVI, é também satírico. Com efeito, nos escritos da época predominava, não só o latim (língua dos textos do próprio Erasmo), mas um estilo normativo mimético da prosa de Cícero, o grande escritor e filósofo romano, modelo por excelência do latim literário. Escrever bem era escrever, no estilo e até na linguagem, «puro Cícero». Erasmo, admirador mas não imitador do mestre romano, satiriza aqui essa idolatria literária, esse purismo ciceroniano que, segundo ele, fossiliza, em vez de vivificar, a língua. E contrapropõe, à imitação de um único modelo, a de vários, aquilo a que chama uma «imitação composta».

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Autor

Erasmo de Roterdão

Desiderius Erasmus Roterodamus ou Desidério Erasmu de Roterdão (1466-1532) foi um filósofo e teólogo holandês conhecido como o «Príncipe dos Humanistas». Pouco se sabe sobre a sua vida. Terá sido filho de um padre católico e da sua provável caseira, filha de um médico. Apesar de não serem legalmente casados, terão educado Erasmo até ao seu falecimento prematuro em 1483, vítimas da peste.

Terá passado pelas mais importantes escolas monásticas do país e, numa delas, para além dos clássicos latinos teve a disciplina de grego clássico pela primeira vez ensinada em toda a Europa num nível de ensino inferior à Universidade.

Apesar de ser um devoto praticante, Erasmo cedo se insurgiu contra os extremismos da vida monástica. É ordenado sacerdote em 1492. Em Stein ter-se-á supostamente apaixonado por um colega cônego ao qual escreveu catas apaixonadas. Pouco tempo depois conseguiu o cargo de secretário de um Bispo devido ao seu superior conhecimento de latim. Seguidamente em virtude dos seus conhecimentos humanistas, recebeu uma dispensa temporária dos votos religiosos - apesar de se ter mantido padre - e, no papado de Leão X, essa dispensa foi prolongada indefinidamente pelo próprio Papa, uma circunstância deveras incomum.

Por meio dessa dispensa foi estudar na Universidade de Paris onde se cruzou com alguns dos nomes maiores do Renascimento católico.

Aceita, em 1499, o convite de um jovem e atraente Barão para visitar Inglaterra e lá trava conhecimento com os grande pensadores ingleses entre os quais Thomas More de quem se tornou grande amigo. Estuda na Universidade de Oxford onde descobre a verdadeira importância dos textos gregos e, de 1510 a 1510, lecciona e estuda na Universidade de Cambridge mas parte por motivos de saúde e para estudar as fontes gregas que lhe dariam um melhor conhecimento sobre as origens do cristianismo.

Durante essa estada teve, ainda assim tempo para visitar Itália e outros países tornando-se um dos epicentros da discussão intelectual da época.

Entre o estabelecimento de um colégio trilingue na universidade de Lovaina (grego, latim e Hebraico) e a criação de um centro de operações do humanismo católico em Basileia, Erasmo continuava o seu projecto de terminar uma bíblia mais próxima dos textos originais. E enquanto essa projecto se desenvolvia, Erasmo, como muitos dos seus colaboradores e correspondentes, iam descobrindo textos julgados perdidos que constantemente alteravam o percurso do projecto principal trazendo novas perspectivas e leituras.

A sua edição do novo testamento em grego serviu de base a Martinho Lutero com quem Erasmo viria a ter uma tremenda disputa intelectual no começo dos movimentos protestantes e reformistas.

A verdade é que uma posição de não compromisso deixou Erasmo mal-visto entre os reformistas e os tradicionalistas. Foi acusado por ambos de falta de coragem e compromisso. Com o surgir dos conflictos sociais originados pela disputa intelectual e teológica de reformistas e da Igreja de Roma muitos acabaram por dar razão à posição conciliadora de Erasmo que abominava a pena de morte para hereges e outros extremismos.

Em 1530 as vendas de livros de Erasmo quer sobre assuntos religiosos quer sobre assuntos laicos representavam cerca de 20% vendas de Livros na Europa.

Morre subitamente em 1536 quando se preparava para partir para Brabante após convite da Rainha da Holanda.

Os seus textos, traduções e edições bem como a sua extensa correspondência marcaram boa parte da discussão teológica e filosófica durante os séculos seguintes.

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