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Incandescência: Cézanne e a Pintura

Sara Antónia Matos, Tomás Maia

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Sinopse

Se o divino designa o que perpetuamente dá vida, tal implica em pintura uma mimese do Sol. É que o Sol - como Cézanne terá também lido no mesmo texto de Balzac - é «esse divino pintor do universo».
O divino irradia-se materialmente do Sol: «Tudo, seres e coisas, não passa de uma maior ou menor quantidade de calor solar armazenado, organizado, uma recordação de sol, um pouco de fósforo que arde nas meninges do mundo.»
O Sol existe morrendo (consumindo-se) a pintar (o universo).
Mas o próprio Sol - tal como a morte - requer um mediador, um representante (o Sol e a morte, como declarou La Rochefoucauld numa das suas Máximas, não podem ser vistos de face ou fixamente). É essa a descoberta a que chega Cézanne: o Sol não se deixa reproduzir, e é necessária outra coisa para representá-lo - uma outra coisa que dá pelo nome de cor.
Fazer a mimese do Sol significa então: na impossibilidade de o representar, pinta-se (um quadro) como o Sol pinta (o universo). O pintor - o pintor da pintura divina, aquele que faz a mimese do Sol - só pode existir morrendo a pintar. Não como quem se sacrifica diante de um astro, mas como quem devolve o dom que é o Sol.
[…]
Que haja luz (em vez de obscuridade total), que haja visível (e não só audível, táctil, etc.), eis o dom com o qual alguém - um pintor - nunca se conforma. Dom que excede tudo o que é dado (toda a forma visível) e que leva assim alguém - o mesmo pintor - a repetir esse dom sob uma forma eterna. A pintura eterniza o dom universal da luz. [Tomás Maia]

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Autor(es)

Sara Antónia Matos

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Tomás Maia

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