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Sinopse

“Estes poemas nascem da situação paradoxal de quem se encontra desprovido de palavras face à égide de um “anjo cabalístico” que “tocando-me o lábio superior ao nascer/ me tenha condenado ao destino paroxístico/ e ocioso de repetir, repetir, repetir” (pág. 18). Uma “Arte Poética” formula-se, então, deste modo imperativo: “Vai, pois, poema, procura/ a voz literal/ que desocultadamente fala/ sob tanta literatura” (pág. 19), pois “a literatura é uma arte/ escura de ladrões que roubam a ladrões” (pág. 50.)
Esta experiência onde se tocam os limites da linguagem não abre para um indizível, mas para a própria matéria da literatura: nem a interrogação da palavra literária enquanto comentário, estudo, ou pura citação significa nostalgia de uma origem mística, nem a atitude perante a multiplicação dos livros que se relativizam é a de um regresso ao Livro absoluto e às formas de legibilidade do mundo que ele implica. As notas que, no fim do livro, identificam autores e obras veladamebnte citados em muitos poemas mostram como se formou a estrutura abstracta que coloca as palavras distantes da realidade. A questão que percorre estes poemas é esta: a condição do poeta é a de “tard venu”, a de criatura do nihilismo. Condenado a escrever no interior da literatura, o seu livro não é senão o prolongamento de outros livros. Ele está, portanto, confrontado com a negatividade, com o dever de subtrair e não de acrescentar: “Com que palavras e sem que palavras?/ Tudo isto (eu sei) é antigo e repetido; fez-se tarde/ no que pode ser dito”.

António Guerreiro, in Expresso.

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Autor

Manuel António Pina

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