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Detalhes do Produto

Sinopse

«Mervyn, tranquiliza-te; vou dar ordens aos meus criados para encontrarem o rasto do que vou de ora em diante procurar e fazer perecer às minhas mãos.»

Marcado por esta fuga às normas, Ducasse escolhia no Paris dos intelectuais uma lateralidade impenetrável e interdita à curiosidade dos poucos que desejavam ver, em corpo, o homem tão fora dos princípios da literatura e dos costumes. Tem-se no entanto admitido que talvez tenha havido neste apagamento público a excepção que o fez privar de perto com o movimento político da Comuna, embora só haja para isso um argumento débil, o de existir em L’Insurgé, o romance de Jules Vallès, uma personagem dessa agitação popular chamada Ducasse e que se ajusta de forma surpreendente às características pessoais do escritor dos Cantos de Maldoror.

Nos seus Cantos destaca-se pelo desvio à estrutura geral o Sexto, tentativa de pôr o ponto final àqueles hiperbolismos enfáticos com um «romance», chamemos-lhe assim, (hoje vou fabricar um pequeno romance de trinta páginas, é confessado num preâmbulo pelo próprio autor), oito capítulos autónomos, visitados por um Mervyn loiro - como os outros adolescentes com passagens rápidas nos Cantos anteriores - que se entrega indefeso a uma intriga equívoca, perturbada na sua forma literária pelas audácias de estilo, pelas rasteiras da lógica, caras a Lautréamont, e a sugerir-se como paródia sofisticada aos romances de Eugène Sue, de Ponson du Terrail e outros, nessa época a singrarem num auge de popularidade.

Mervyn surge tão singular dentro dos Cantos, que podemos conceder-lhe o direito de libertar-se das amarras que o prendem aos outros cinco textos da saga maldororiana; e assim, isolado e a contar-se com imagens barrocas e ênfases hiperbólicas, ganha também o direito de ser vítima da atracção ambígua e punitiva de um Maldoror atemporal e ubíquo (desdobrado, para a execução da sua sentença, pela cega obediência do louco Aghone) que o destrói e com sublimidade o castiga sem saber, ao que parece, atribuir-lhe mais culpas do que vê-lo a rondar, loiro e adolescente, nas suas imediações.

[Aníbal Fernandes]

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Autor

Isidore Ducasse, Conde de Lautréamont

Isidore Lucien Ducasse nasceu em Montevideu, no Uruguai, a 4 de Abril de 1846.
O pai, François Ducasse, era chanceler do consulado francês, e a mãe, Jacquette-Celestine Davezac, morreu poucos meses depois do nascimento do filho.
Em 1859, François Ducasse enviou o filho para França, onde Isidore estudou em regime de internato, primeiro no Liceu Imperial de Tarbes, e mais tarde no Liceu Louis-Barthou, em Pau. Em 1867, com 21 anos, e após uma curta estadia em Montevideu, Isidore Ducasse rumou a Paris, decidido a tornar-se escritor, ofício para o qual foi contando com a mesada que o pai lhe destinava a cada mês.
Em 1868, publicou, de forma anónima e a expensas próprias, uma pequena brochura. Era o primeiro canto dos Cantos de Maldoror. No ano seguinte, esse primeiro canto figurou numa antologia onde Ducasse usou pela primeira vez o pseudónimo que perduraria para os dias de hoje — Conde de Lautréamont.
A publicação da totalidade dos seis Cantos de Maldoror aconteceria ainda no ano de 1869, pela mão do belga Albert Lacroix, editor de Zola. Porém, uma vez com o livro em mãos, o editor arrepiou caminho e recusou-se a distribui-lo, receando acusações de blasfémia e obscenidade. Não era receio menor, já que tudo nestes Cantos foge ao convencional — desde logo pela temática em torno do mal, concentrada em Maldoror, personagem transgressiva, violenta, de uma perversidade extrema, até à forma dos versos, que são na verdade longos parágrafos torrenciais, a que acresce um narrador que é por vezes o personagem principal e noutras um mero observador que se conserva a distância segura —, numa história de ritmo frenético, rodeada de escuridão e estranheza, mas numa escrita de enorme vivacidade e especialmente crítica do homem.
Enquanto Ducasse se desdobrava em contactos para ver o livro distribuído, apelando a críticos, outros editores e escritores de renome, dedicou-se a outra obra onde pretenderia fazer o contraponto com os Cantos de Maldoror para desta feita cantar o bom e o belo, numa espécie de triunfo da lucidez sobre o universo negro e confuso de Maldoror, formando ambas as obras uma dicotomia sobre o bem e o mal. Esta segunda obra — Poesias. Prefácio a um livro futuro — ficaria por terminar, embora este primeiro esboço tenha sido publicado, em 1870.
Isidore Ducasse, Conde de Lautréamont, figura misteriosa de que pouco se conhece, morreu a 24 de Novembro de 1870, num quarto de hotel, em Paris, de causas desconhecidas.
Em 1879, a primeira edição dos Cantos de Maldoror foi finalmente comercializada. A repercussão da obra revelou-se modesta, embora relevante o suficiente para ser reimpressa em 1890. Seriam precisos mais uns anos para, no rescaldo da Primeira Guerra Mundial, uma cópia do livro ir parar às mãos de Phillipe Soupault, que por sua vez o mostrou a André Breton. Estava aberto o caminho para o Surrealismo.

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