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Recordações da Casa dos Mortos

Fiódor Dostoiévski

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Sinopse

Um dos mais famosos livros deste grande vulto da literatura universal — Recordações da Casa dos Mortos é, talvez, aquele que mais directamente nasceu da sua experiência de deportado. É, como escreveu Gilbert Sigaux, o testemunho de um Dante que regressou do Inferno e, também, uma dramática denúncia da própria condição humana. Nele encontramos o invulgar poder de análise psicológica, o profundo misticismo, a luta contra os fantasmas da consciência, a busca de um fundamento ontológico do ser tão característicos de Dostoiévski.

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski  nasceu em 1821, em Moscovo. Após a morte da mãe, o pai, que viria a ser assassinado em 1839, matricula-o na escola militar de engenharia de São Petersburgo. Atraído pela literatura, o jovem Dostoiévski abandona, em 1840,
o exército e passa a viver de traduções.

Em 1846 estreia-se com o romance Gente Pobre, entusiasticamente acolhido pela crítica. Mais tarde associa-se a um grupo de activistas liberais.
Preso em 1849, é condenado à morte; momentos antes da execução vê a sua pena comutada em quatro anos de trabalhos
forçados na Sibéria.

Da deportação nasceu, no dizer de Pierre Pascal, o verdadeiro Dostoiévski de Recordações da Casa dos Mortos, Humilhados e Ofendidos, Crime e Castigo, Os Possessos e Os Irmãos Karamazov.

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Autor

Fiódor Dostoiévski

Fiódor Dostoiévski ( Moscovo, 30.10.1821 - S. Petersburgo, 28.01.1881) foi um dos grandes percursores, como Emily Brontë, da mais moderna forma do romance, exemplificada em Marcel Proust, James Joyce, Virgina Woolf entre outros. Filho de um médico militar, aos 15 anos é enviado para a Escola Militar de Engenharia. de S. Petersburgo. Aí lhe desperta a vocação literária, ao entrar em contacto com outros escritores russos e com a obra de Byron, Vítor Hugo e Shakespeare. Terminado o curso de engenharia, dedica-se a fazer traduções para ganhar a vida e estreia-se em 1846 com o seu primeiro romance, Gente Pobre. Após mais umas tentavivas literárias, foi condenado à morte em 1849, por implicação numa suspeita conjura revolucionária. No entanto, a pena foi-lhe comutada para trabalhos forçados na Sibéria. Durante os seus anos de degredo teve uma vida interior de caráter místico, por ter sido forçado a conviver com a dura realidade russa, o que também o levou a familiarizar-se com as profundezas insuspeitas da alma do povo russo. Amnistiado em 1855, reassumiu a atividade literária e em 1866, com Crime e Castigo, marca a ruptura com os liberais e radicais a que tinha sido conotado. As obras de Dostoiévski atingem um relevo máximo pela análise psicológica, sobretudo das condições mórbidas, e pela completa identificação imaginativa do autor com as degradadas personagens a que deu vida, não tendo, por esse prisma, rival na literatura mundial. A exatidão e valor científico dos seus retratos é atestada pelos grandes criminalistas russos. Neste grande novelista, o desejo de sofrer traz como consequência a busca e a aceitação do castigo e a conceção da pena como redentora por meio da dor.

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