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Nenhum Sítio é Deserto. Álvaro Siza: Piscina de Marés (1960-2021) - No Place is Desert Ocean Swimming Pool

Teresa Cunha Ferreira, Luís Martinho Urbano

Sujeito a confirmação por parte da editora



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14,39 € 18,00 €

Detalhes do Produto

Sinopse

PISCINA DE LEÇA DA PALMEIRA

Todos os anos, nas marés vivas, o mar leva o que não é essencial.

Naquele sítio, um maciço rochoso interrompe três linhas paralelas: encontro do mar e do céu, da praia e do mar, longo muro de suporte da via marginal.

Alguém pensou em proteger uma depressão desse maciço, utilizando-a como piscina de marés. Mas o Atlântico não é o Mediterrâneo, nem é simples construir uma piscina onde poucas se fazem; tratamento da água, captação difícil, regulamentos exigentes. «O melhor é chamar um arquitecto».

Nada mudou profundamente. O edifício dos balneários está ancorado como um barco no muro da marginal. Dali não sai. Alguns muros em betão sustentam a cobertura em riga e cobre e apoiam os percursos de acesso à piscina. Esses percursos existiam (em terreno difícil, as pessoas sabem onde pôr os pés), a piscina existia, os muros são paralelos ao suporte em granito da avenida, do qual apenas se destacam. Aqui e além pequenas intervenções consolidam as plataformas naturais. Nas primeiras marés vivas o mar levou um pedaço de muro, corrigindo o que não estava bem. Durante sete anos ainda, como Jacob, o arquitecto estudou os remates, a norte e a sul, onde era difícil a entrega do que se fez ao que existia. De tal sorte que daí resultou um plano da marginal, entregue e prontamente pago. Mas tudo foi considerado inútil: o arquitecto apenas tinha escolhido onde pôr os pés e aonde não ir, temeroso dos perigos das rochas e do mar. E alguém disse: «qualquer um sabe onde pôr os pés, e é suposto que um arquitecto ponha os pés em sítios diferentes dos de toda a gente.» E logo o despediram.

José Miguel Rodrigues

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Autor(es)

Teresa Cunha Ferreira

É arquitecta pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e Doutorada pelo Politécnico de Milão (em co-tutela com a faup, 2009). Experiência profissional na Direcção Regional de Monumentos e Edifícios do Norte (dremn-dgemn) e na Soprintendenza per i Beni Architettonici e il Paesaggio di Milano (sbapmi), entre outras colaborações e projectos. Desenvolve actividade de ensino como Professora Convidada na Escola de Arquitectura da Universidade do Minho (2009-17) e no Programa Doutoral da faup (2012-17). Membro Integrado do Centro de Estudos em Arquitectura e Urbanismo da faup, no Grupo Património da Arquitectura, da Cidade e do Território (pact), com participação em projectos e publicações nacionais e internacionais. Coordenadora do Plano de Gestão para a Conservação e Valorização dos Monumentos da Rota do Românico. Membro fundador da Associação Portuguesa para a Reabilitação Urbana e Protecção do Património e membro do Conselho de Administração do icomos-Portugal.

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Luís Martinho Urbano

É Arquitecto e docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP). Licenciou-se na Universidade de Coimbra, onde efectuou uma pósgraduação em “Arquitectura, Território e Memória”. Em 2015 concluiu o doutoramento na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP). Escreveu artigos e apresentou comunicações sobre as intersecções entre a arquitectura e o cinema em diversas publicações e conferências. Coordenou três edições do Workshop Internacional “Cinemarchitecture” (2008, 2009 e 2010), três edições do Curso de Verão “Arquitectura e Cinema” (2010, 2011 e 2012) e organizou os Seminários “Portugal 1960-74” (2010), “Revoluções” (2011) e a Conferência Internacional “Inter[Sections]” (2013). Na FAUP, coordenou o Projecto de Investigação “Ruptura Silenciosa”, no âmbito do qual produziu dez curtas-metragens. Editou os livros "Designing Light" (2007), “Mundo Perfeito” (2008), “Revoluções. Arquitectura e Cinema nos anos 60/70” (2013) e "Circa 1963. Conversas com Arquitectos e Cineastas" (2018). Actualmente é editor e director da revista “JACK – Journal on Architecture and Cinema”. É autor do livro “Histórias Simples. Textos sobre Arquitectura e Cinema” (2013) e das curtas-metragens “Sizígia” (2012), “A Casa do Lado” (2012), “Como se desenha uma casa” (2014) e "Morada" (2019).

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