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A Psicologia das Multidões

Gustave Le Bon

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Sinopse

Apesar de publicado originalmente em 1895, este ensaio clássico manteve sempre a sua importância fundamental e fundadora, tendo sido uma reconhecida influência na obra de Freud, por exemplo.

Hoje em dia, a sua relevância é, se possível, ainda maior: numa época em que a globalização cria grupos de opinião e movimentos a nível mundial, este estudo de como raciocinam e agem os seres humanos quando em grupo é incontornável.

Gustave Le Bon foi, na sua época, desprezado pela Academia. O seu pensamento estava demasiado à frente do seu tempo. Le Bon incorporava Darwin e Haeckel nos seus conceitos de hereditariedade e da natureza humana, reflectia sobre o ambientalismo ou sobre o ensino igualitário. 

A obra mantém-se tão relevante hoje como o foi aquando do seu surgimento. Permite, de uma forma clara, perceber como funcionam os regimes ditatoriais, os extremismos políticos, religiosos e sociais; compreender as modas, a publicidade, a propaganda. Num mundo globalizado, este ensaio é uma das mais abrangentes análises possíveis da forma como o ser humano «funciona» em sociedade e em grupo. 

«Nos nossos dias, a soma das opiniões hesitantes das multidões é maior do que nunca e isto por três razões diferentes. A primeira é que as antigas crenças, perdendo cada vez mais o seu domínio, já não actuam, como outrora, sobre as opiniões transitórias para lhes darem determinada orientação. O desaparecimento das crenças gerais deixa lugar a uma multitude de opiniões particulares sem passado nem futuro. 

A segunda razão é que, por ser cada vez maior o poder das multidões, que também cada vez vai tendo menos contrapeso, a extrema mobilidade de ideias que nelas verificámos pode manifestar-se livremente. 

A terceira, finalmente, é a recente difusão da imprensa, que apresenta incessantemente aos olhos das multidões as mais opostas opiniões. Assim, as sugestões que qualquer dessas opiniões podia originar são dentro em pouco destruídas por sugestões opostas, do que resulta que nenhuma opinião poder dilatar-se, estando, portanto, votada a existência efémera. Morre assim qualquer opinião antes de ter podido espalhar-se o bastante para ser opinião geral.»

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Autor

Gustave Le Bon

Charles-Marie Gustave Le Bon (1841-1931) foi um importante polímata francês, cujas áreas de interesse e estudo incluíam a Antropologia, a Psicologia, a Sociologia, a Medicina e a Física.

Nascido em Nogent-le-Rotrou, Le Bon formou-se em Medicina na Universidade de Paris, em 1866. No entanto, optou por nunca exercer a profissão, preferindo dedicar-se à investigação e à sua carreira de escritor. Publicou uma série de artigos e livros científicos antes de ingressar no Exército Francês após o início da Guerra Franco-Prussiana. A derrota na guerra, aliado a ter sido testemunha em primeira mão da Comuna de Paris de 1871, moldou fortemente a visão do mundo de Le Bon. Viajou então por toda a Europa, Ásia e norte de África. Estudou os povos e civilizações que encontrou de acordo com a recém-criada Antropologia, desenvolvendo uma visão essencialista da humanidade.

Depois de 1890, juntou a Psicologia e a Sociologia aos seus estudos, áreas em que publicou as suas obras de maior sucesso. Le Bon desenvolveu a visão de que as multidões não são a soma das suas partes individuais, propondo antes que dentro destas se forma uma nova entidade psicológica. Ao mesmo tempo, desenvolveu as suas teorias psicológicas e sociológicas, realizou experiências na área da física e publicou livros populares sobre o assunto, chegando mesmo a antecipar a equivalência de massa-energia e a profetizar a Era Atómica. Le Bon manteve os seus interesses ecléticos até à sua morte, em 1931.

Desprezado pela academia francesa em vida, devido às suas opiniões politicamente conservadoras e reacionárias, Le Bon foi um dos maiores críticos do socialismo e uma influência reconhecia de personalidades tão díspares como Roosevelt, Mussolini, Freud, Hitler, José Ortega y Gasset ou Lenine.

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