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16 de Outubro de 1943 (seguido de) Oito Judeus

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João Tiago Proença (Trad.), Giacomo Debenedetti

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Detalhes do Produto

Sinopse

Dois textos complementares, dois exercícios sobre o terror na vida real.
Giacomo Debenedetti deixou uma obra curta, mas, ainda assim, uma obra que lhe granjeou um lugar de destaque na literatura do século XX.
Estes dois textos, escritos respectivamente em 1944 e 1945, mostram bem a razão do reconhecimento que muitos dos seus pares na literatura lhe devotavam. Nomes como Alberto Moravia, Natalia Ginzburg ou Guido Piovene são apenas alguns desses escritores.
16 de Outubro de 1943 - Ensaio narrativo em que Debenedetti reconstrói, hora a hora, a rusga nazi contra a comunidade judaica de Roma. A partir de testemunhos, telefonemas interrompidos, portas arrombadas e pequenos gestos de sobrevivência, o autor mostra como o terror se infiltra no quotidiano: vizinhos que ajudam, outros que denunciam, famílias que se dispersam em esconderijos improvisados. A narração acompanha os preparativos, a detenção em massa e a deportação que se segue, registando tanto a frieza burocrática dos algozes como a perplexidade e a coragem dos perseguidos. Sem retórica, a prosa transforma factos documentais em drama humano, iluminando o mecanismo da perseguição e a indiferença que a permitiu. O resultado é um retrato pungente de um único dia que concentra a violência de uma época.
Oito Judeus - Conjunto de retratos ficcionais em que Debenedetti segue oito pessoas judaicas perante as leis raciais e a caça ao homem. Cada figura — um estudante, um comerciante, uma mãe, um intelectual, entre outros — enfrenta a mesma ameaça com estratégias e fragilidades distintas: disfarces, fugas, negociações, súbitos sobressaltos de esperança. O autor fixa as minúcias do medo e da dignidade: a mala feita à pressa, a campainha que toca de madrugada, a escolha entre ficar e desaparecer. Sem moralismos, a escrita alterna entre observação clínica e compaixão, revelando como a violência colectiva se abate sobre vidas comuns. Ao justapor estes destinos, o livro compõe uma só história: a da vulnerabilidade e da resistência individuais diante da máquina persecutória.
Assim, se o primeiro texto é um ensaio quase jornalístico, baseado totalmente em factos e dados concretos, Debenedetti humaniza o texto; já no segundo texto, apesar de estarmos perante uma ficção, o Autor faz o exercício contrário, criando um texto que, tal como o tratamento discriminatório, desumaniza as pessoas em causa, tornando-as «coisas» alvo do ódio, tudo menos seres humanos.

«Breve e sublime, [...] narra a deportação dos judeus romanos como nenhum outro texto. Não podemos deixar de admirar a extraordinária força do estilo, transparente como vidro.» — Natalia Ginzburg, La Stampa
«Reconhecido de imediato como uma pequena obra-prima. Um livro único, imensamente fértil, sobre o Holocausto em Itália.» — Publishers Weekly
«A primeira memória escrita da Shoah italiana.» — Modern Italy
«Uma ‘chave’ para compreender a memória italiana do pós-guerra.» — Centro Primo Levi
«Considerado já um clássico pela sua dupla força literária e testemunhal.» — QLibri 

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Autor(es)

Giacomo Debenedetti

Giacomo Debenedetti (1901-1967) é um dos mais importantes e citados autores italianos do século XX, mas, ao mesmo tempo, aquele que tem a produção literária menos extensa.
Nascido em Biella, no Piemonte, em 1901, Giacomo Debenedetti cresceu num ambiente judaico burguês e cultíssimo. Estudou Letras na Universidade de Turim, onde travou contacto com alguns dos espíritos mais vivos da sua geração — entre eles Piero Gobetti, Leone Ginzburg e Cesare Pavese —, vindo a inserir-se no círculo intelectual que daria forma ao antifascismo liberal italiano. A sua formação foi profundamente marcada pela crítica idealista de Benedetto Croce, mas também pela psicologia e pela sociologia modernas, que o levaram a conceber a literatura como expressão da consciência colectiva e como documento da crise moral do século XX.
Como escritor e ensaísta, Debenedetti destacou-se pela capacidade de aliar a análise rigorosa à emoção moral. Autor de textos breves e densos, entre os quais se salientam 16 ottobre 1943 e Otto ebrei, transformou o testemunho da perseguição judaica em arte narrativa de rara intensidade. A sua prosa concisa, de tonalidade quase clínica, não renuncia à compaixão nem à meditação filosófica, e coloca o leitor perante o limite da experiência humana. Além dos textos sobre o Holocausto, produziu estudos notáveis sobre Proust, Svevo, Pirandello e Moravia, sempre com o intuito de compreender a metamorfose do indivíduo na modernidade.
Crítico literário, professor universitário, teórico da narrativa e figura de ponte entre várias disciplinas, Debenedetti foi um dos intelectuais italianos mais completos do seu tempo. Colaborou em revistas como Solaria, Letteratura e Il Mondo, e exerceu um magistério discreto mas decisivo sobre várias gerações de críticos e escritores. A sua actividade intelectual abrangeu a literatura, a sociologia, o cinema e a teoria da comunicação, numa constante busca de sentido para o homem moderno entre a memória e a catástrofe.

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João Tiago Proença

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