Giacomo Debenedetti
Giacomo Debenedetti (1901-1967) é um dos mais importantes e citados autores italianos do século XX, mas, ao mesmo tempo, aquele que tem a produção literária menos extensa.
Nascido em Biella, no Piemonte, em 1901, Giacomo Debenedetti cresceu num ambiente judaico burguês e cultíssimo. Estudou Letras na Universidade de Turim, onde travou contacto com alguns dos espíritos mais vivos da sua geração — entre eles Piero Gobetti, Leone Ginzburg e Cesare Pavese —, vindo a inserir-se no círculo intelectual que daria forma ao antifascismo liberal italiano. A sua formação foi profundamente marcada pela crítica idealista de Benedetto Croce, mas também pela psicologia e pela sociologia modernas, que o levaram a conceber a literatura como expressão da consciência colectiva e como documento da crise moral do século XX.
Como escritor e ensaísta, Debenedetti destacou-se pela capacidade de aliar a análise rigorosa à emoção moral. Autor de textos breves e densos, entre os quais se salientam 16 ottobre 1943 e Otto ebrei, transformou o testemunho da perseguição judaica em arte narrativa de rara intensidade. A sua prosa concisa, de tonalidade quase clínica, não renuncia à compaixão nem à meditação filosófica, e coloca o leitor perante o limite da experiência humana. Além dos textos sobre o Holocausto, produziu estudos notáveis sobre Proust, Svevo, Pirandello e Moravia, sempre com o intuito de compreender a metamorfose do indivíduo na modernidade.
Crítico literário, professor universitário, teórico da narrativa e figura de ponte entre várias disciplinas, Debenedetti foi um dos intelectuais italianos mais completos do seu tempo. Colaborou em revistas como Solaria, Letteratura e Il Mondo, e exerceu um magistério discreto mas decisivo sobre várias gerações de críticos e escritores. A sua actividade intelectual abrangeu a literatura, a sociologia, o cinema e a teoria da comunicação, numa constante busca de sentido para o homem moderno entre a memória e a catástrofe.