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Sinopse

O farol, símbolo fálico, e as águas, símbolo matricial feminino, passam em Rachilde por uma relação demente; e o que apreendemos como metáfora neste Farol de Amor resulta em grande parte de uma escolha nada inocente de palavras, de uma sugestão de cheiros e cores.

Quem percorrer os limbos da Literatura e tirar a febre aos livros encalhados longe do favor dos manuais, terá por vezes a compensação de um sobressalto. O Farol de Amor é um grande sobressalto.
No século XIX escrevia-se bem. Porque a leitura era a ocupação preferida de quase todos os que soubessem ler, vivia-se uma idade de ouro que activava, onde se acolhessem, os grandes talentos de contar. [...]
O Farol de Amor é agora mal-esquecido depois de uma assinalável presença no favor do público, do registo de algum arrepio na inteligência da época. Laurent Tailhade, por exemplo, sucumbia numa carta à emoção: «Uma obra-prima… que li de uma assentada, seduzido e apavorado ao mesmo tempo, um Farol de Amor que é obra-prima da literatura e do terror também.»
[...]
Rachilde [Cros, 11 de Fevereiro de 1860 -  Paris, 4 de Abril de 1953] — Marguerite Eymery em solteira, e Marguerite Valette depois de casada com o fundador da editora Mercure de France — se não teve talento que lhe garantisse, junto das sumidades literárias da época, uma memória vitalícia, mereceu do seu tempo um olhar rendido, ou de recusa, ou de reserva, mas nunca de indiferença.  A escritora Rachilde, agora um pouco esquecida, foi o contrário do insucesso público: somou num vasto percurso de edições uma admirável quantidade de best-sellers. [...]
Conquistou uma cadeira de poder na Mercure de France, sacerdotisa que intrigava na sombra a boa e a má sorte dos editados. [...] O seu pai, oficial de carreira, tinha sonhado descendências varonis e fora forçado a consolar-se com esta filha única «vestida à rapaz». [...] Esta amazona estreia-se como romancista numa época bastante descrente de talentos literários na Mulher. [...] morreu velha de noventa e três anos, e cansada de tanto escrever.

[Aníbal Fernandes]

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Autor

Rachilde

Marguerite Vallette-Eymery (Périgueux, 11 de fevereiro de 1860 - Paris, 4 de abril de 1953) ficou conhecida pelo pseudónimo de Rachilde.
Representante do decadentismo francês, criou para si mesma, além de um pseudónimo, um passado e uma genealogia fantasiosa: identificava-se, por exemplo, com lobos, dando a entender que havia sido criada entre as feras; vestia-se com roupas masculinas, apresentando-se, inclusive, como "homem de letras". A sua obra mais conhecida, Monsieur Vénus (1884), trata da relação de uma mulher aristocrata e dominante com um florista efeminado. Publicou boa parte das suas obras no jornal Mercure de France, fundado e dirigido pelo seu marido, Alfred Valette.

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