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Sinopse

Numa pequena cidade montanhosa do interior do país e no seio de uma família agreste e de corações vazios, a jovem Deolinda é forçada a casar aos catorze anos com um hóspede residente na pensão dos pais, apenas, porque um dia a mãe a viu conversar com o rapaz. Criança ainda, correndo, atrás dos animais do circo que visita a cidade, sem entender as ironias da vida, e sem tempo para crescer, contrafeita, Deolinda tem que trocar as bonecas de trapos com que brincava fingindo de mãe, pela verdadeira boneca que chora de noite e não a deixa dormir, desenvolvendo uma personalidade ofensiva, possessiva, hostil e ignorante. O seu destino estava predestinado a cruzar-se com os hóspedes da pensão dos pais, e, aos vinte anos uma paixão arrebatadora e irresponsável, onde tudo é possível acontecer, Deolinda expõe o marido e as filhas a situações tão medonhas, abomináveis e insustentáveis num jogo de tudo ou nada, que as suas vidas, destroçadas, criam estigmas devastadores que cada um deles albergará com a força de ser capaz de enfrentar o futuro. Inês, a filha mais velha, com a história retalhada e a vida em sofrimento, segue atalhos e caminhos onde a escuridão é sombria e a tristeza se esconde na receita da ternura. Vive entre a verdade e a mentira, aceita a morte na vida onde a saudade do que desconhece é a força que a fará erguer e alcançar o bolo da sua existência, decorado com glacé cor-de-rosa e bolinhas prateadas, recheado de creme amargo, feito de pedaços de vida, dum tempo que não se divide em fatias. Quando Deolinda tinha cerca de doze anos de idade veio hospedar-se na pensão um jovem, com vinte e quatro anos, de nome Eduardo. Tinha chegado à cidade para trabalhar. Tal como eu vim a fazer anos mais tarde, também Deolinda, desde muito cedo, começou a servir à mesa e no balcão do bar. Os hóspedes, todos rapazes, como Manuel exigia, brincavam com ela, pela sua tenra idade e habilidade em ajudar no serviço. Este novo “hóspede”, Eduardo, o primeiro na vida dela, era um rapaz bonito e simpático. A ligação entre eles ia aumentando à medida que o tempo passava, e ninguém tinha tempo para perceber.

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Autor

Albert E. Marcus

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