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Elogio do Intervalo - Um Docente à Janela do Século XXI

Christopher Damien Auretta

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Sinopse

RETRATO DO NEOFASCISTA AMANTE DO NÃO-PENSAR – Quem não ama o pensar, ama o não-pensar. Quem ama o não-pensar, ama a morte. Quem ama o não-pensar, precipita o caixão. Quem pensa não pensando, trai o mundo. Quem pensa não pensando, acorrenta a vida. Quem não pensa, contraria a vida. Quem vive ao contrário, não vê futuro. Quem mata futuro, quer impor ordem. Quem impõe ordem, arma a mente. Quem arma a mente, não cria futuro: mata o presente. Quem ama assim, odeia o mundo. Quem odeia o mundo, não sabe criar. Quem não cria, é amante do mal.
Quem pensa bem, ama a vida generosa e dura. Quem ama e pensa, crê também na liberdade. Quem crê também na liberdade, sabe também que não vem hoje. Não traz aquilo que sempre faltou. Não transcende a morte (cuja noite são também sendas). A liberdade não vence o mal: reconhece-nos só nos intervalos das grades. Liberta-nos só à luz da razão. Para quem pensa, a vida é lei e leveza, dor e razão, raiz e dureza. Quem ama e cria, cresce ao ritmo dos céus e ventos. Quem cresce bem, perece na paz do mar mais azul.
O fascista arranca mares e mundos: mata a vida sorridente e dura. Recusa aquilo que a vida traz sempre de braços abertos: abate a vida nas marés do tempo. O fascista afoga a vida que canta.
O fascista sorri também quando fala: sorri generoso e duro. O seu sorriso é da espessura das facas.
Como docente, ou melhor, como fazedor de modestas micro-utopias erguidas nas muitas salas de aula ao longo da minha vida profissional, tenho procurado privilegiar em acto e em pensamento a visualização da orla longínqua daquele mundo que nos aguarda e cujos contornos devemos imaginar e, dentro dos nossos possíveis, concretizar, também em acto e em pensamento, nas imediações do presente. Incumbe-nos viver à altura do nosso tempo de modo a respondermos cabalmente às suas numerosas e urgentes solicitações. Incumbe-nos cumprir com a cultura de que somos herdeiros e criadores. Incumbe-nos resistir à barbárie que nos sitia.

(da Introdução)

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Autor

Christopher Damien Auretta

CHRISTOPHER DAMIEN AURETTA doutorou-se pela Universidade da Califórnia, Santa Bárbara, EUA. Lecciona na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa onde organiza seminários em Pensamento Contemporâneo e na área de Ciência e Literatura, focando, sobretudo, exemplos da representação estética da modernidade técnico-científica.

As suas publicações recentes incluem: “Cem dias à sombra da Torre de Babel, Novas crónicas pedagógicas”; “Em torno do pensar na Torre de Babel do Século XXI (micro-ensaios e afins)”; “Ten Essays; Thinking in Babel (poesia)”; “Elogio do Intervalo, Um docente à janela do século XXI”; “Cine(gra)mas, Entre a Escrita e o Ecrã”; “Missivas da Noosfera”; “A Mala Anarquista”; “Diz-Me Tu Quem Eu Sou, Diálogo com Paulo Freire” e “Autobiografia de uma Sala de Aula, Entre Ítaca e Babel com Paulo Freire (com João Rodrigo Simões)” e Discurso do Bastardo.

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