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Detalhes do Produto
- Editora: Modocromia
- Categorias:
- Ano: 2025
- ISBN: 9789893622391
- Número de páginas: 90
- Capa: Brochada
Sinopse
Mulher.
O teu refúgio:
Fenda Materna… de onde me olhas…
Há vidas que se esculpem como se fossem matéria, que se modelam, persistentes, como o barro paciente que aguarda a transfiguração do fogo, vidas onde cada instante é um gesto depurado rumo ao essencial. A vida de Margarida Santos é uma dessas vidas. Uma vida que se fez da fidelidade ao ofício e à beleza, à forma e à substância, na confluência rara entre o Ser e o Fazer. Desde muito cedo — quem sabe se ainda antes de nomear o mundo com palavras — escolheu falar com as mãos, como quem resgata da terra a memória da sua própria carne, como quem entende o corpo não apenas enquanto forma visível, mas enquanto expressão íntima do sentir e do transcender.
Margarida Santos é mulher de pedra e bronze, de barro e silêncio, de memória e fogo. Não porque se tenha furtado às palavras (basta percorrer a sua obra escrita para o sabermos), mas porque cedo compreendeu que há realidades, há emoções e sentidos que não se dizem por nomeações literais. Exigem o peso da mão, o tacto sensível da superfície, a pulsão da curva, o delinear da ondulação, o estremecimento da matéria viva que se entrega à alquimia do gesto. Por isso, a sua escultura não é arte que se exponha apenas: é Arte que convoca! Que chama, que solicita do olhar a lentidão da contemplação e do sentir a disponibilidade para se deixar tocar.
As suas mulheres de bronze — corpos emergentes de uma ancestralidade quase mítica — trazem consigo a memória do feminino enquanto lugar de criação e resistência, enquanto espaço fundacional do mistério da vida. São corpos que, na sua nudez formal, nada têm de provocação fútil ou de exibição gratuita. Antes, guardam a nobreza do arquétipo e a humildade do corpo terreno. Corpos que parecem interrogar-nos, lembrar-nos que também somos barro, que também somos bronze por dentro: frágeis, mas duráveis; vulneráveis, mas persistentes.
[…]
In prefácio
J. M. Vieira Duque, Conservador do Museu Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro