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Contos de Odessa

Ficções

Isaac Babel

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Sinopse

«A Odessa de Babel é um lugar único, é uma amálgama de objetos, de sensações, de cores, de cheiros. Tudo se pode tocar, cheirar e provar. E a língua de Odessa não é exceção. As palavras são personificadas e podem ser metidas no bolso, podem ser apalpadas, podem ser seguradas entre os dentes. A fala de Odessa é uma fonte de divertimento do autor. As personagens exprimem‑se principalmente em russo, mas o seu discurso está salpicado de incoerências ou de construções agramaticais, espelhando a influência do ucraniano, do iídiche, do moldavo, do francês e do inglês, entre outros idiomas. Outras vezes fazem a transferência direta do hebraico antigo na referência aos numerais (exemplo: “sessenta vacas leiteiras, menos uma”, em vez de dizerem simplesmente cinquenta e nove). Muitas estruturas são também conseguidas a partir de construções em iídiche. Pode pois dizer‑se que os habitantes de Odessa falam uma língua singular que não existe em mais lugar nenhum.» [Do prefácio de Nailia Baldé a Contos Escolhidos]

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Autor

Isaac Babel

Isaac Babel nasceu a 13 de julho de 1894, na cidade ucraniana de Odessa, então sob o domínio do Império Russo. Era filho de um vendedor de roupas usadas e de uma judia moldava. O seu tio fora morto num pogrom. Como escreveu Borges, o «clima habitual» da vida de Babel «seria a catástrofe». Estudou numa escola comercial de Odessa, dedicando-se também à música e ao Talmude. O facto de não ter conseguido ingressar na universidade levou-o ao Instituto de Finanças e Negócios de Kiev, onde conheceu Yevgenia Gronfein, com quem se casaria anos mais tarde. Em 1915, terminado o curso, Babel deslocou-se para a atual cidade de São Petersburgo, onde a entrada dos judeus era proibida. Com a ajuda de um empregado de café e de um passaporte falso, ocultou a sua identidade. Foi aí que conheceu Máximo Gorki, publicando alguns contos na revista que este dirigia, Letopis. Um deles, A Janela da Casa de Banho, foi considerado obsceno pela censura. Nessa época o estilo de Babel começava a definir-se. Era evidente não ter sido em vão que lera Gogol e Maupassant, sendo mesmo capaz de os fundir num universo próprio, feito de ironia e de um tom «deliberadamente amargo». Babel participou na guerra civil que se seguiu à tomada de poder pelos bolcheviques, em outubro de 1917, trabalhando como tradutor na Cheka, no Comité Bolchevique de Odessa e no Comissariado de Educação. Foi também jornalista em São Petersburgo e Tbilisi. Casou-se, em 1919, com Yevgenia, que emigraria para França em 1925. Em 1920 ingressou no Exército Vermelho, num regimento de cossacos, que se espantaram por ver um judeu lutar a seu lado e montar a cavalo tão bem como eles. A rude crueldade do regimento seria narrada por Babel no seu Diário de 1920, onde escreveu que acompanhar os cossacos era «como assistir a um funeral interminável». Em 1924, algumas das suas histórias, mais tarde incluídas em Exército de Cavalaria, foram divulgadas na revista LEF, do poeta Maiakovski. De regresso à cidade natal, Babel escreveu Contos de Odessa. São narrativas de inspiração autobiográfica sobre a sua infância no gueto de Moldavanka, antes e depois da Revolução de Outubro. A história de Bênia Krik, o judeu rei dos gângsteres da cidade, é de uma exuberância inigualável. Em 1930, Babel testemunhou na Ucrânia a brutalidade e as mortes causadas pela coletivização forçada da agricultura. No Congresso da União de Escritores Soviéticos, em 1934, um Babel marginalizado pelo realismo socialista observou que estava a tornar-se «um mestre de um novo género literário, o género do silêncio». No ano seguinte, a sua peça Maria viu a estreia em Moscovo cancelada pela polícia política. Nos anos seguintes, já a viver com Antonina Pirozhkova, Babel colaborou com Eisenstein e trabalhou em diversos filmes. Em 1939, foi preso na sua dacha, em Peredelkino, e interrogado sob tortura na prisão do KGB em Moscovo. De acordo com a versão oficial, Babel morreu numa prisão do Gulag em março de 1941. Os seus manuscritos foram confiscados e destruídos. Mas a abertura dos arquivos do KGB indica que terá sido morto a 27 de janeiro de 1940. A sua palavra perdura nos quase sessenta contos que escreveu; a sua vida, no Diário de 1920 e nas memórias da sua segunda esposa, Antonina Pirozhkova.

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