J.-K. Huysmans

Charles-Marie-Georges Huysmans nasceu em Paris, em 1848, e mais tarde escolheu para si o nome Joris-Karl Huysmans, que usaria até 12 de Maio de 1907.

Filho único de mãe francesa e pai holandês, aos vinte anos, Huysmans iniciou uma entediante carreira no Ministério do Interior, cujas funções administrativas partilhou com a escrita, ao longo de trinta anos, apenas interrompidos para prestar serviço na Guerra Franco-Prussiana.

Influenciado pelos naturalistas contemporâneos nas primeiras obras, Huysmans integrou um círculo de amigos que incluíam Émile Zola e Guy de Maupassant — os famosos serões de Médan; cedo porém rompe com essa ligação, à medida que os seus romances assumem um conteúdo mais decadente e um estilo mais violento.

«Ao Arrepio», de 1884, marca o início do segundo percurso literário de Huysmans, uma obra que acompanha as excentricidades e angústias do esteta Des Esseintes, e que de tal maneira simbolizou a decadência da cultura da elite francesa do final do século XIX, que foi considerado um breviário do decadentismo. É este o livro amarelo, venenoso, que corrompe Dorian Gray na famosa obra de Oscar Wilde.

Em 1895, Huysmans faz um retiro no mosteiro de Issigny e, profundamente impressionado, converte-se ao catolicismo de que tanto havia desdenhado nos seus romances até então. As suas obras ganham novo rumo, concentrando-se na sua recém-descoberta fé, na arte religiosa da Idade Média, e evidenciando um misticismo que na verdade já o acompanhava.

Embora ampliando os estilos literários, a obra de Huysmans manteve-se constante na riqueza das descrições e do vocabulário, na erudição abrangente, no uso idiossincrático da língua francesa e na viagem espiritual a que submete todas as suas personagens.

Além de escritor, Huysmans foi também um prolífero crítico de arte, e muito contribuiu para o reconhecimento de pintores impressionistas, como Degas. Foi ainda um dos fundadores da Academia Goncourt, que todos os anos concede o prestigiado prémio literário.