Fabien Vehlmann
Fabien Vehlmann nasceu em 1972, em Mont-de-Marsan, na região de Landes, em França. Três anos depois, mudou-se para Savoie, onde passou uma infância ""realmente óptima"", um equilíbrio harmonioso entre introversão — adorava inventar jogos sozinho — e sociabilidade — adorava estar com os amigos. ""Tive sorte, os meus pais deixavam-me brincar, em vez de me obrigarem a trabalhar desde cedo no jardim de infância.""
Por volta dos seis anos, começou a desenhar histórias e preenchia os quadradinhos com esboços em estilo taquigráfico. Descobriu um talento para entreter, que se sentiu compelido a cultivar, até perceber que também tinha o direito de ficar triste. Após concluir o ensino médio, Vehlmann decidiu que trabalhar com banda desenhada não era uma carreira viável. Matriculou-se na Escola Comercial de Nantes, trabalhou com marketing de brinquedos e formou-se em 1995.
Objector de consciência, trabalhou como administrador numa trupe de teatro. ""Era como estar no meio de uma pastelaria sem poder comer os bolos: eu só vivia os aspectos aborrecidos da criação!"" Apesar de tudo, fez duas ou três curtas-metragens com os actores e estreou-se na rádio numa estação local.
Em 1996, a revista 'Spirou' organiza um concurso de escrita de argumentos para o qual era preciso enviar quatro páginas. Vehlmann envia quarenta… o que o deixa à margem do concurso. Recebe, no entanto, uma resposta - ""Pode fazer melhor"" - a qual o galvaniza pois é, mesmo assim, uma resposta. Com vista a ""fazer melhor"", lança-se noutra BD que envia para a mesma 'Spirou'. E a resposta: ""Ainda não é isso."" O jovem faz então uma aposta: em vez de procurar um emprego, vai ficar na casa dos pais durante um ano para escrever banda desenhada. ""Eu tive sorte, os meus pais aceitaram. Sempre tive muita sorte, quero dizer."" Desta vez, 'Spirou' gosta e compra as suas páginas.