Partilhar

A Morte de Virgílio

Hermann Broch

Disponibilidade Imediata

Desconto: 20%
14,39 € 18,00 €

Detalhes do Produto

Sinopse

A Morte de Virgílio é um dos maiores romances do século XX, uma vasta meditação lírica que exprime inquietação sobre a morte, o sentido da vida e a possibilidade de conhecer o mundo.
Construído com um monólogo interior em que se entrecruzam tempos e espaços, o livro tem um estilo em ruptura com as normas narrativas tradicionais.
Foi a própria morte do poeta Virgílio que serviu de ponto de partida à elaboração desta obra de concepção sinfónica. Virgílio morreu aos 51 anos, em Brindisi, a 21 de Setembro do ano 19 a. C., no regresso de uma viagem à Grécia, onde contraíra malária. Desiludido com o seu tempo quis, no decurso dos seus últimos dias, destruir o manuscrito da Eneida.
O livro começa com a chegada da frota romana ao porto de Brindisi, levando consigo o poeta já moribundo, enquanto em terra se preparam os festejos que hão-de acolher o imperador.

«A Morte de Virgílio, uma das obras maiores do nosso tempo, tenta vitalizar a linguagem através da lógica contrapontística e das simultaneidades dinâmicas da música. Mais radicalmente do que Joyce, Broch subverte a organização temporal e a progressão linear sobre as quais a ficção em prosa habitualmente se constrói. O seu estilo tem um sortilégio inquietante. (…) A escrita contemporânea ainda mal começou a explorar as sugestões de Broch.»
George Steiner, em Literatura e Pós-História

Ler mais

Autor

Hermann Broch

Escritor austríaco de etnia judaica, nascido a 1 de novembro de 1886, em Viena. Filho de um industrial do ramo têxtil, recebeu os fundamentos da sua educação a nível privado, e começou depois a estudar em preparação para uma carreira executiva na fábrica do seu pai. Ingressou em 1897 na Real Escola Secundária do Estado, prosseguindo em 1904 para o Instituto Técnico de Manufatura Têxtil, de onde transitou, em 1906, para o Instituto de Fiação e Tecelagem de Mülhausen. Durante a Primeira Grande Guerra serviu como executivo da Cruz Vermelha austríaca, tendo, no entanto, administrado a fábrica da família em Teesdorf.
Pelos cafés de Viena tomou contacto com figuras da intelectualidade austríaca, como Robert Musil, Franz Blei e a jornalista Ea von Allesch, ex-modelo nu, alcunhada de "Rainha do Café Central". Viúva de um pianista inglês morto durante a guerra, o tenente Johannes von Allesch, o seu segundo marido havia tido um colapso nervoso apenas três meses depois do casamento. Broch rompeu com Milena Jesenská, que começou uma relação com o escritor Franz Kafka, para se juntar a Ea, mais velha do que Broch em cerca de onze anos.
Em 1909 tornou-se crítico do Moderne Welt, sobretudo graças aos contactos de Ea, que o encorajou nos seus esforços literários e que lhe escrevia cartas apaixonadíssimas. A relação começou a esfriar em 1927, e Broch envolveu-se então com a sua secretária Anna Herzog.
Ao cabo de muitos anos de trabalho na empresa da família, Broch decidiu, aos quarenta anos de idade, dedicar-se por completo à escrita. Divorciou-se e ingressou na Universidade de Viena como estudante de Matemática, Filosofia e Psicologia, de 1926 a 1930. Em 1927 havia resolvido vender a fábrica.
Aos quarenta e cinco anos de idade publicou o seu primeiro romance em formato de trilogia, Die Schlafwandler (1931-32), que refletia a visão spengleriana dos ciclos históricos e tratava a desintegração dos valores culturais na Alemanha de 1880 a 1820. Com o alastramento do fenómeno Nacional-Socialista, Broch interrompeu a atividade da escrita, colaborando, nos anos de 1937 e 1938, na Volkerbund-Resolution, a resolução para a Liga das Nações.
No mesmo dia da anexação da Áustria à Alemanha pelas tropas alemãs, Broch foi detido para interrogatório. Com receio de poder vir a morrer numa prisão Nacional-Socialista, Broch, auxiliado por James Joyce e outros escritores, conseguiu uma autorização para emigrar da Áustria. Mudou-se primeiro para Londres, depois para a Escócia e, finalmente, para os Estados Unidos da América, onde se estabeleceu em Princeton, no estado da Nova Jérsia.
Por não ser detentor de títulos académicos, foi-lhe negada uma posição fixa nas universidades de Princeton e de Yale. Recebeu, no entanto, bolsas de várias fundações, incluindo a Guggenheim, a Rockefeller, Bollingen, Oberlander, e da Academia Norte-Americana das Artes e Ciências. A partir de 1940 envolveu-se em ajuda humanitária a refugiados, pelo que muito dos fundos que ia recebendo foram parar às mãos de outros refugiados de guerra europeus.
Em 1945 concluiu, nos Estados Unidos, Der Tod Des Vergil, obra constituída por quatro partes, cada uma delas representando um elemento - a água, a terra, o ar e o fogo - e que foi considerada como um dos grandes monumentos da literatura de exílio.
A sua obra caracterizou-se sobretudo pela originalidade formal, por uma certa ambiguidade no conteúdo e pela tentativa de conciliação entre as perspetivas científica e mistico-simbólica de aproximação ao mundo.
Passou os últimos anos da sua vida em torno da Universidade de Yale, no estado do Connecticut. Tornou-se, em 1949, parte do corpo docente do Saybrook College. Faleceu na véspera de uma viagem planeada à Europa, vítima de um ataque cardíaco, a 30 de maio de 1951.

Ler mais