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A Cozinha Canibal

Roland Topor

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Desconto: 10%
9,00 € 10,00 €

Detalhes do Produto

Sinopse

Mamã com Rosas Brancas

Beije a mamã em ambas as faces e depois corte-a em duas; verta-lhe por cima água a ferver; retire-lhe a cabeça, que sorri com bondade — iria tirar-lhe o apetite —, bem como a coluna vertebral e todos os ossos que possam ser desossados. Em água simples, coza batatas, que irá cortar às rodelas e pôr numa salada. Misture na salada bocadinhos de mamã e regue com azeite quando servir. Não se esqueça de pôr umas quantas rosas brancas debaixo da travessa: elas irão proteger a toalha e, além disso, a mamã gostava tanto delas...

  Por motivos insondáveis, esta obra nunca foi avistada nas estantes de livros de culinária, na companhia de títulos com igual sex appeal gastronómico, entre os escaparates da auto-ajuda e da ficção estrangeira. Obra representativa do estilo pânico cultivado por Roland Topor, A Cozinha Canibal (1970) serve ao leitor quarenta e três apetitosas receitas antropófagas — quase meia centena de modos de preparar o homo sapiens, uma das carnes mais injustamente subvalorizadas, de tão versátil e acessível —, bem guarnecidas de alguns truques de cozinha, aforismos deliciosamente macabros e sugestões de apresentação. Do míope gratinado à incontornável cabeça de patrão com puré, sem esquecer acepipes como o patê de camponês ou o picadinho de missionário com pão ralado — chefes Michelin e comensais de todo o mundo, regozijai com tanta proposta de confecção e degustação do vosso semelhante! 

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Autor

Roland Topor

Roland Topor (1938-1997), pintor, ilustrador, poeta, cançonetista, dramaturgo, encenador, cineasta e fotógrafo, artista francês impossível de catalogar, começou por destacar-se com os desenhos grotescos que publicou na revista satírica Hara-Kiri. Vencedor do Grand Prix de L’Humour Noir em 1961, bebeu dos surrealistas e respondeu-lhes com o movimento Pânico, que fundou com Fernando Arrabal e Alejandro Jodorowsky, entre outros. O seu primeiro e mais celebrado romance, Le Locataire chimérique (1964), adaptado ao cinema por Roman Polanski (O Inquilino, 1976), conta a história de um burocrata a braços com crises de identidade e paranóia. Em texto como em imagens, Topor atira-nos para um mundo do avesso, e a crueldade animalesca, o erotismo, a escatologia e a tétrica ironia das suas obras valeram-lhe o desprezo de críticos, vários projectos ruinosos e ameaças de morte quotidianas. O prazer foi todo dele. 

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