Depois de Aquele Que É Digno de Ser Amado, a Maldoror publica O Dia do Rei, de Abdellah Taïa, romance que ganhou o Prix de Flore em 2010.
Neste romance vive-se no ano de 1987, ainda sob o longo reinado de Hassan II, e é na sombra — e no temor — deste rei que acompanhamos a história de Omar, a relação com o pai, a revolta com a mãe, que cometeu a ousadia de ser livre, e por fim o declínio da amizade amorosa que mantém com Khalid, o jovem rico do cimo da colina que é escolhido para beijar a mão do rei, enquanto Omar, do bairro pobre de Salé, pode apenas sonhar com o monarca.
Num estilo poético mas realista, onde a candura caminha a passo com a perversidade, em O Dia do Rei, Abdellah Taïa fala-nos das profundas desigualdades sociais em Marrocos, dos tabus que ali persistem, mas também da figura omnipresente e autoritária do rei, do papel das mulheres e da sua condição na sociedade marroquina.
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Abdellah Taïa
Abdellah Taïa nasceu em Salé, próximo de Rabat, em Marrocos, a 8 de Agosto de 1973.
Cresceu numa família modesta e numerosa, de nove irmãos, e cedo se interessou pelo mundo do cinema. Foi, porém, Literatura Francesa que estudou, primeiro na Universidade de Rabat, mais tarde em Genebra, e veio a concluir o doutoramento na Sorbonne, com uma tese sobre Fragonard.
O gosto pela escrita surgiu-lhe ainda nos tempos de faculdade, e, em 2000, publicou o seu primeiro livro de contos; Mon Maroc, onde revive memórias de infância num registo autobiográfico. Aventurou-se, desde então, em peças de teatro, colaboração com outros autores, e vários romances, de que se destaca L’armée du salut, de 2006, que o próprio adaptou ao cinema e realizou, apresentando a sua primeira longa-metragem em 2014, e pelo qual recebeu o Grande Prémio do Júri no Festival Premiers Plans d’Angers; e Le Jour du roi, de 2010, que lhe valeu o Prix de Flore.
Oriundo de um país onde a homossexualidade é crime, Abdellah Taïa foi o primeiro escritor do mundo árabe a assumir a sua homossexualidade, numa carta publicada em 2006 no semanário Tel Quel; «Homossexualidade explicada à minha mãe». Homossexual árabe, e jovem marroquino que foi viver para França; eis as temáticas que atravessam a obra de Taïa, que, apesar de escrever em francês, e dos vinte anos que já leva a residir em França, escreve sobre o seu país sem nunca denunciar essa distância.
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