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Detalhes do Produto

Sinopse

«Manter a verosimilhança sob perpétua suspeita», era a principal preocupação de Joë Bousquet. E ainda: «Não há realidade na ordem que faz a nossa natureza exigir-nos uma revisão de todas as coisas.»
Joë Bousquet (pseudónimo de Joseph Jean Théophile) foi um escritor deitado; durante trinta e dois anos deitado.
[…]
Tudo parecia obedecer a um inegável êxito quando… em 27 de Maio de 1918… com aquela guerra de quatro anos a dar os últimos suspiros, num combate de Vailly-sur-Aisne uma perversa bala alemã se alojou num mau ponto do seu tórax e fez estragos que o paralisaram da cintura para baixo e o tornaram sexualmente impotente.
[…]
Bousquet tomava como verdade o que lhe era ditado por revelações alheias à sua consciência. E isto levava-o a escrever romances com uma subjectiva linguagem de sonho, não dominados por aquilo que associamos à sua habitual construção. As palavras «não estão feitas para ser compreendidas», diz ele, «mas para se casarem umas com as outras no irreal dos estados passageiros que imolam à sua extrema pureza o que teriam conservado de humano.»
Nesta torrente ela passava, azul e loira. Bousquet, em estado de impotência sexual mas com uma intensa sexualidade cerebral, amargurava-se e encantava-se num desfile de azuis e loiras que só existiam na essência do amor. São, todas elas, imagens de uma impossibilidade e com pouca realidade individual. Percorrem uma noite luminosa, ditadas por afirmações obscuras com um secreto encanto.
Sentado durante trinta e dois anos numa cama, a amar sem ser amado, Bousquet morreu. Era o dia 28 de Outubro de 1950.
Jean Paulhan: «Foi concedido a Bousquet familiarizar-se com um estado em que o homem sabe de ciência segura, vê de evidência evidente, que o calor e o gelo, o alegre murmúrio dos pensamentos e as palavras condensadas, a profusão e o mecanismo não fazem mais do que uma única obra.»
[Aníbal Fernandes]

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Autor

Joë Bousquet

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