Robert Walser

(...) O destino de Robert Walser foi o de um «sem préstimo» romântico: filho de família numerosa, começou o seu ciclo de viagens aos dezassete anos; tenta em vão iniciar uma carreira de actor no teatro de Estugarda, depois desempenha toda a espécie de profissões, desde praticante de escritório a criado de uma família burguesa. De 1905 a 1913, vive em Berlim em casa do irmão, o pintor Karl Walser (que ilustraria os seus livros) e consagra-se à literatura, encorajado pelas relações de amizade com B. Cassirer, S. Fischer, G. Hauptmann e Liebermann. Mas, no momento em que se vislumbra o sucesso, foge de Berlim e refugia-se em Biel, onde leva uma vida de recluso. Após várias depressões, uma breve tentativa de reinserção na vida social (em Berna, 1929), o seu equilíbrio mental fica definitivamente abalado. Em 1933, entra para a clínica psiquiátrica onde passará o resto da vida.

No seu primeiro livro, Fritz Kochers Aufsätze [As Redacções de Fritz Kocher], de 1904, Walser confessa com ironia, a respeito da sua pessoa, que lhe interessa «menos a procura de um dado assunto do que a escolha de palavras felizes e harmoniosas». Sentença demasiado peremptória ou ponta de malícia secreta do autor, mas que revela ao mesmo tempo um traço característico da sua produção literária. Nas suas três obras mais importantes, a saber, Geschwister Tanner (Os Irmãos Tanner, 1907), Der Gehülfe (O Ajudante, 1908) e Jacob von Gunten (1909), o romancista dissolve a acção dramática sob a forma de um jornal íntimo para descrever estados de alma de sonhadores extravagantes e solitários. As novelas publicadas sob o título Geschichten (1914) e Kleine Dichtungen (1914) traduzem a mesma atitude a um tempo lírica e pudica dum humorista melancólico. Walter Benjamin nota justamente que as personagens de Robert Walser parecem todas «convalescentes», frágeis e superficiais «como se tivessem acabado de superar uma crise mental». «Estou aterrorizado perante a ideia de conseguir alguma coisa na vida», escreveu Walser. Os seus heróis partilham deste terror, não por timidez ou ressentimento, mas em virtude de uma espécie de epicurismo: querem, simplesmente, sair da noite e reencontrar o prazer naif de existir. O que talvez explique a atracção confessa de Franz Kafka pela obra de Robert Walser.

Jean-Jacques Pollet



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