Luigi Bartolini

Luigi Bartolini (1892-1963) foi um escritor, poeta e pintor italiano, independente e combativo, autor de «Ladri di biciclette» e mestre da água-forte.
O seu percurso literário não se manteve alinhado com escolas ou capelinhas, publicando romances, contos, diários e sátiras em cerca de setenta obras literárias. A sua escrita, simultaneamente lírica e amarga, observou com ironia a vida quotidiana e as contradições italianas do século XX; o romance Ladri di biciclette (1946) fixou o seu nome e inspirou o filme homónimo de Vittorio De Sica.
Como artista plástico, Bartolini foi pintor e sobretudo um gravador de referência: cultivou a água-forte de filiação rembrandtiana e goyesca, dedicando-se a paisagens, naturezas e pequenos animais, com fino trabalho de linha. Expôs com regularidade (Bienal de Veneza, Quadrienal de Roma), leccionou e reuniu uma vasta colecção de álbuns e estampas, que consolidaram a sua reputação nas artes gráficas.
Em torno da sua figura ergueram-se polémicas: detido nos anos 30 e sujeito a um confinamento em Merano por motivos políticos, também participou em mostras oficiais do regime, o que alimentou leituras contraditórias sobre as suas eventuais simpatias fascistas. Bartolini definiu-se, porém, como um «anarquista celeste», preservando uma independência estética e moral que manteve no pós-guerra, entre o reconhecimento público e as permanentes querelas críticas.