Partilhar

O Eterno Marido

Fiódor Dostoiévski

5 dias


Desconto: 20%
10,32 € 12,90 €

Detalhes do Produto

Sinopse

Universalmente considerado como um dos iniciadores da literatura moderna, Dostoiévski é também em muitos aspectos um precursor do pensamento de Freud pela admirável compreensão das motivações profundas e não conscientes, do sofrimento psíquico, da linguagem dos sonhos, dos laivos de loucura que caracterizam os comportamentos. Neste conto, o autor trata de um tema muito divulgado nas literaturas europeias de meados do século XIX, especialmente na francesa: o argumento narra um triângulo amoroso – marido, mulher e amante – através da voz de um homem rico e indolente, que é confrontado com o marido, depois viúvo, da sua amante. À semelhança de «O Idiota», já publicado nesta colecção, em «O Eterno Marido» o ciúme é o tema-chave; mas, enquanto naquele livro os conflitos são vividos, através de uma perspectiva cómica, por personagens dotados de grande força interior, em «O Eterno Marido» dá-se a dramatização do tema, logo esse sentimento é elaborado em função de um personagem cheio de fragilidades, propenso a uma passividade que o expõe ao ridículo, e as suas tentativas de abafar os seus ressentimentos e alcançar a felicidade a todo o custo acabam por se exteriorizar assumindo os contornos do crime. No entanto, mais do que esta compreensão que Dostoiévski possui em relação aos comportamentos, fascinam-nos a sua intuição poética e o seu alcance filosófico, que nos deixam perante o enigma do psiquismo humano como mistério insondável que não obedece a qualquer lei da vida material. Considerado pela crítica mundial como um dos mais perfeitos trabalhos de Dostoiévski, «O Eterno Marido», publicado pela primeira vez em revista corria o ano de 1870, só no ano seguinte teria a sua primeira edição em livro esta versão em língua portuguesa, da responsabilidade de Nina Guerra e Filipe Guerra, é fruto de um trabalho de tradução feito directamente a partir do russo.

Ler mais

Autor

Fiódor Dostoiévski

Fiódor Dostoiévski ( Moscovo, 30.10.1821 - S. Petersburgo, 28.01.1881) foi um dos grandes percursores, como Emily Brontë, da mais moderna forma do romance, exemplificada em Marcel Proust, James Joyce, Virgina Woolf entre outros. Filho de um médico militar, aos 15 anos é enviado para a Escola Militar de Engenharia. de S. Petersburgo. Aí lhe desperta a vocação literária, ao entrar em contacto com outros escritores russos e com a obra de Byron, Vítor Hugo e Shakespeare. Terminado o curso de engenharia, dedica-se a fazer traduções para ganhar a vida e estreia-se em 1846 com o seu primeiro romance, Gente Pobre. Após mais umas tentavivas literárias, foi condenado à morte em 1849, por implicação numa suspeita conjura revolucionária. No entanto, a pena foi-lhe comutada para trabalhos forçados na Sibéria. Durante os seus anos de degredo teve uma vida interior de caráter místico, por ter sido forçado a conviver com a dura realidade russa, o que também o levou a familiarizar-se com as profundezas insuspeitas da alma do povo russo. Amnistiado em 1855, reassumiu a atividade literária e em 1866, com Crime e Castigo, marca a ruptura com os liberais e radicais a que tinha sido conotado. As obras de Dostoiévski atingem um relevo máximo pela análise psicológica, sobretudo das condições mórbidas, e pela completa identificação imaginativa do autor com as degradadas personagens a que deu vida, não tendo, por esse prisma, rival na literatura mundial. A exatidão e valor científico dos seus retratos é atestada pelos grandes criminalistas russos. Neste grande novelista, o desejo de sofrer traz como consequência a busca e a aceitação do castigo e a conceção da pena como redentora por meio da dor.

Ler mais