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Elogio da Loucura (Edição Brasileira)

Erasmo de Roterdão


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Sinopse

Trata-se de um dos livros emblemáticos da cultura ocidental e sem dúvida uma das obras literárias mais lidas em todo mundo nos últimos seis séculos. Publicado pela primeira vez em 1511, o “Elogio da Loucura” é uma das críticas mais implacáveis à vaidade, orgulho e contradições da natureza humana. Dirigindo a sua sátira contra todos os estratos sociais, mostra-se seu Autor mais implacável no desmontar dos ridículos e abusos sobretudo dos poderosos da política, da Igreja e da vida acadêmica do seu tempo, usando de uma linguagem e processos literários altamente divertidos, mesmo para o leitor de hoje. No fundo de sua obra, encerra-se também, ou talvez sobretudo, uma mensagem de funda espiritualidade e uma afirmação e defesa dos valores do pacifismo, ou “irenismo”, conceito de que Erasmo foi, senão o iniciador, pelo menos seguramente um dos maiores e mais eloquentes apóstolos. Embora existam inúmeras versões deste livro editadas em Portugal e Brasil, tenho a convicção de que a imensa maioria (para não dizer a totalidade) delas não foi feita nem por latinistas de ofício nem a partir exclusivamente do texto original latino, circunstâncias estas que não se verificam com a tradução aqui proposta, pois Antônio Guimarães Pinto serviu-se dos textos originais (sobretudo do último texto corrigido por Erasmo, datado de 1532), e é o latinista de Brasil e Portugal que traduziu maior número de páginas de textos em latim, sobretudo de obras que nunca haviam sido vertidas para qualquer idioma moderno. No caso do Erasmo, já em 1999 as Edições 70 publicaram, sob o título de “A Guerra e Queixa da Paz”, duas de suas traduções de textos basilares deste Autor.

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Autor

Erasmo de Roterdão

Desiderius Erasmus Roterodamus ou Desidério Erasmu de Roterdão (1466-1532) foi um filósofo e teólogo holandês conhecido como o «Príncipe dos Humanistas». Pouco se sabe sobre a sua vida. Terá sido filho de um padre católico e da sua provável caseira, filha de um médico. Apesar de não serem legalmente casados, terão educado Erasmo até ao seu falecimento prematuro em 1483, vítimas da peste.

Terá passado pelas mais importantes escolas monásticas do país e, numa delas, para além dos clássicos latinos teve a disciplina de grego clássico pela primeira vez ensinada em toda a Europa num nível de ensino inferior à Universidade.

Apesar de ser um devoto praticante, Erasmo cedo se insurgiu contra os extremismos da vida monástica. É ordenado sacerdote em 1492. Em Stein ter-se-á supostamente apaixonado por um colega cônego ao qual escreveu catas apaixonadas. Pouco tempo depois conseguiu o cargo de secretário de um Bispo devido ao seu superior conhecimento de latim. Seguidamente em virtude dos seus conhecimentos humanistas, recebeu uma dispensa temporária dos votos religiosos - apesar de se ter mantido padre - e, no papado de Leão X, essa dispensa foi prolongada indefinidamente pelo próprio Papa, uma circunstância deveras incomum.

Por meio dessa dispensa foi estudar na Universidade de Paris onde se cruzou com alguns dos nomes maiores do Renascimento católico.

Aceita, em 1499, o convite de um jovem e atraente Barão para visitar Inglaterra e lá trava conhecimento com os grande pensadores ingleses entre os quais Thomas More de quem se tornou grande amigo. Estuda na Universidade de Oxford onde descobre a verdadeira importância dos textos gregos e, de 1510 a 1510, lecciona e estuda na Universidade de Cambridge mas parte por motivos de saúde e para estudar as fontes gregas que lhe dariam um melhor conhecimento sobre as origens do cristianismo.

Durante essa estada teve, ainda assim tempo para visitar Itália e outros países tornando-se um dos epicentros da discussão intelectual da época.

Entre o estabelecimento de um colégio trilingue na universidade de Lovaina (grego, latim e Hebraico) e a criação de um centro de operações do humanismo católico em Basileia, Erasmo continuava o seu projecto de terminar uma bíblia mais próxima dos textos originais. E enquanto essa projecto se desenvolvia, Erasmo, como muitos dos seus colaboradores e correspondentes, iam descobrindo textos julgados perdidos que constantemente alteravam o percurso do projecto principal trazendo novas perspectivas e leituras.

A sua edição do novo testamento em grego serviu de base a Martinho Lutero com quem Erasmo viria a ter uma tremenda disputa intelectual no começo dos movimentos protestantes e reformistas.

A verdade é que uma posição de não compromisso deixou Erasmo mal-visto entre os reformistas e os tradicionalistas. Foi acusado por ambos de falta de coragem e compromisso. Com o surgir dos conflictos sociais originados pela disputa intelectual e teológica de reformistas e da Igreja de Roma muitos acabaram por dar razão à posição conciliadora de Erasmo que abominava a pena de morte para hereges e outros extremismos.

Em 1530 as vendas de livros de Erasmo quer sobre assuntos religiosos quer sobre assuntos laicos representavam cerca de 20% vendas de Livros na Europa.

Morre subitamente em 1536 quando se preparava para partir para Brabante após convite da Rainha da Holanda.

Os seus textos, traduções e edições bem como a sua extensa correspondência marcaram boa parte da discussão teológica e filosófica durante os séculos seguintes.

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