E. M. Cioran

E. M. Cioran, filho de um padre ortodoxo, nasceu na Roménia, numa aldeia da Transilvânia, a oito de Abril de 1911. Entre 1928 e 1932 estudou filosofia na Universidade de Bucareste. Durante esse período tornou-se ávido leitor das obras de Schopenhauer, Kierkegaard, Nietzsche e Max Stirner e concluiu uma tese sobre Bergson. Com Mircea Eliade e Eugène Ionesco comprometeu-se, neste período juvenil, com os movimentos nacionalistas e a mitologia conservadora da Roménia dessa época. O seu primeiro livro, reflexo de um período de esgotamento nervoso e de profunda inquietação, foi publicado em 1932 com o título Pe Culmile Disperaeii (Nos Cumes do Desespero). Até 1937 publicou em língua romena mais três livros, e nesse mesmo ano conseguiu uma bolsa de estudo para fazer o doutoramento em Paris. Em 1946, rompendo com o seu passado e com a língua romena, decide mudar-se definitivamente para Paris. Em 1949 publicou o primeiro livro em francês, Précis de Décomposition, ao qual se seguiram Syllogismes de L'Amertume (1952), La Tentation d'Exister (1956), Essai sur la Pensée Réactionnaire (1957), Histoire et Utopie (1960), La Chute dans le Temps (1964), Le Mauvais Démiurge (1969), De L' Inconvenient d'Être Né (1973), Écartèlement (1979), Exercices d'Amiration (1986) e Aveux et Anathèmes (1987). E. M. Cioran faleceu tal como viveu, solitariamente, em Paris no ano de 1995. A sua obra da maturidade pode ser definida como uma escrita de demolição radical que recusa qualquer sistema filosófico. A ironia, o desespero e o cepticismo amargo, sempre presentes na análise que faz dos homens e da História, assentam numa lúcida e desenganada visão da condição humana, que vai na contra-corrente do moralismo optimista das religiões e das ideologias políticas. Escrito sob a forma de fragmentos, Do Inconveniente de Ter Nascido, mais do que um libelo contra a «catástrofe do nascimento», constitui a apologia de uma virtualidade fruitiva da qual emanam todas as possibilidades. É esse estado de pura possibilidade, informe e inominável, no qual toda a determinação foi abolida, que nos permite conceber o êxtase anónimo da não-existência.


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