|
Num mundo desmobilizado, que recorre a todas as espécies de simulacros e de
lazeres para se desviar da Obra e que oscila entre a preocupação racional pela
coerência e a pusilanimidade incoerente, Rémi Boyer propõe o Incoerismo como
“Imobilidade em movimento”. Não é um sistema nem uma estratégia, antes sim,
entre dois impasses, uma terceira via, saída de emergência e única liberdade.
Nesta demanda do Centro, do coração da Rosa – centro que, recorda-nos o autor, é
passagem para a Verticalidade –, o Adepto revela-se como um artista que joga e
cria; que, despojado de conceitos e de saber, se encontra frente a frente com a
Loucura, a Beleza, a Solidão, o Nada; mas, também, que conhece o abraço
cintilante, o êxtase do “deus negro”. Grande Jogo que se pratica com irreverência –
um dos nomes humanos da Liberdade.
|