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O século XIX é geralmente considerado o século de ouro
da vida privada. O fecho da família sobre si própria; a
modificação da planta interior das casas, com a
delimitação de áreas reservadas (para os criados,
quartos de dormir para o casal e para os filhos,
aposentos destinados à higiene pessoal, escadas de
serviço); o gosto pelo conforto doméstico; o progresso da
consciência individual, são alguns dos sintomas do
reforço da vida privada, no século do liberalismo,
constituindo uma etapa decisiva na evolução dessa outra
grande história que é a da noção de intimidade e na qual
aquela se integra. Nesta obra coletiva acompanha-se o
desenvolvimento tomado pela privatização de novas
práticas e de comportamentos sociais, desde 1820 até
aos anos 1950, os quais, iniciando-se pelos grupos
sociais mais elevados, vão progressivamente irradiando
para os restantes meios populares rurais ou urbanos. Em
simultâneo, procuram-se captar as linhas de fronteira
entre espaços privados e espaços públicos, os quais se
vão redefinindo ao longo do tempo.
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