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“A casa estava vazia; o espaço ainda não era meu, interessou-me porque dele me tocou o ambiente e a textura.
Tomei posse, intervindo e personalizando-o por interferência na luz, cor e disposição dos objectos, uns mais quotidianos que outros.
Torno-Me presente aqui - neste espaço que agora é meu, onde Habito e nele sinto-me Eu”.
“Passo nesta rua todos os dias, é sempre diferente o que nela passa. Reconheço-a, acolho-a e sinto-me parte dela. Vejo-a de inumeros ângulos e muitas vezes de dentro para fora, quando me refugio.
O meu quadro janela muda sendo de manhã ou de tarde e conforme o frio que faz. Desta forma, muda também a minha Casa”.
“Só lá estive uma única vez; trouxe comigo a memória do entardecer, e por vezes volto lá, de olhos fechados, para me aquecer, num espaço cá dentro que habito. E quando tento passá-lo para palavras desvanece, como se aquele momento só pudesse ser partilhado por quem o viu, naquela vez”.
Num paralelo com as descrições acerca da forma de habitar o espaço intimo, o espaço público ou a própria memória, Ana Vieira Ribeiro apropria-se do Momento, filtrando-o conscientemente enquanto manipula plástica e luminicamente a composição.
Habitando-a, desta forma, numa literacia visual individual que se convida a ser partilhada por quem a frui.
De dentro para fora. De fora para fora. De dentro para dentro. |